Andri Carvão : Polifemo em Lilipute e Outros Contos

Review

Reviewed by Leonel Delalana Jr.

Comecemos com um trocadilho infame: os contos de Andri Carvão são brasas incandescentes, ardentes, fogosas. Esse elemento rubro dentro da caixa de fósforos pulsa já no primeiro conto. Em O Sangue, o líquido vermelho flui na morte da infância, na morte do sonho, na morte da luta, na mancha do branco. O segundo resulta, sem eufemismo, no sonho destroçado da atualidade vazia, do rebanho perdido em um parque de diversões, de ilusões, do faz de conta, da irresponsabilidade de uma geração pagando um preço alto pela derrota das anteriores. Aí vem o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, o sétimo em orgasmos múltiplos... Polifemo em Lilipute & outros contos é um livro de sonhos frustrados, lutas vãs, gozo “fácil”, onde o inusitado é o desfecho, onde o fetiche da enfermeira é a morte. E o descarado ainda ousa chegar ao último conto com um final feliz. Andri vai construindo, com as variações lingüísticas do dia a dia, sua literatura de carne e osso com gosto de pêssego na lata; sarcástica, seca, hilária, cruel, de sensualidade explícita e onomatopaica, com uma linguagem espontânea que dá ritmo à leitura. Ou seja, é carvão em brasa. Querem pôr a mão no fogo? Leiam! e... Fora Temer!

Autor

Andri Carvão

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Gênero Conto
Since 2017